domingo, 11 de dezembro de 2011

Quem você evita?

Muita gente se censura por seus próprios pensamentos e ações. Pessoas com crise de personalidade que não sabem exatamente o que consideram certo ou errado, que não sabem o que pensar e não conseguem formar uma opinião. Você tem que concordar que é difícil se posicionar quando você não consegue aceitar suas próprias idéias.
Eu não luto contra os meus princípios, e por mais abomináveis que meus pensamentos sejam, faço questão de ficar quieta apreciando tudo que se passa pela minha mente. Eu não me culpo, não sofro, não sinto remorso. Não tenho demônios interiores. Faz parecer que eu não me importo. E pra ser franca, eu realmente não me importo.
Já faz algum tempo desde que me perdi no caminho, mas eu construí minha própria estrada. Fiquei sozinha, claro. E a solidão não é a coisa que os humanos mais temem? Eu devia achar isso um pesadelo. Só devia.
Talvez eu tenha morrido na queda e deixado de ser humana. Eu morri pouco depois de completar oito anos, apesar de só ter me dado conta disso aos poucos, enquanto ia cada vez mais fundo pelo caminho que eu mesma criei. Minha infância foi roubada cedo demais e eu pulei a adolescência. E ainda assim não sou adulta. Eu congelei quando morri e não tenho mais definição. Uma garota que foi destruída quando pequena, continuou adquirindo experiencia e apesar disso é fantasiosa demais para ser adulta.
Contando desse jeito parece uma história triste, mas eu garanto que tenho bagagem o bastante pra viver sem achar ruim. O problema nunca foi comigo. Eles sempre vem de fora. E a dor me fez mais dura que um diamante. Minha infância foi um conto de fadas, e eu sinto saudade. Eu vivia num casarão enorme e bem cuidado, era mimada e tratada feito princesa e tão inocente que chegava a ser irritante. Eu ainda passo em frente ao casarão quando volto da escola (abandonado e caindo aos pedaços). É claro que é nostálgico. Saí de lá dois meses depois do meu aniversário de oito anos, quando o meu céu caiu e eu fiquei oscilando entre o inferno e a mentira.
As únicas coisas com as quais se deve lutar são as que vem de fora. Meus pensamentos e opiniões nunca me machucaram. Só quem pode te machucar são as pessoas.
Não estou mandando ninguém virar sociopata (apesar de eu mesma ter algumas tendencias a isso, em termo de desprezar leis e viver de acordo com minhas próprias regras). Mas eu não acho que sentimentos sejam dispensáveis. Eu posso ser reservada na maior parte do tempo, mas no fundo me comovo com algumas coisas. Quando alguém me pede colo eu não sei dizer não. Sinto uma necessidade bizarra de cuidar de todo mundo, de não deixar eles saírem da linha. No meu caso não teve um resultado tão ruim, apesar de eu ter perdido a inocência e as preocupações comuns a qualquer humano, mas e os outros? Cada um é cada um, pode não funcionar com eles como funcionou comigo. É melhor não arriscar.
E bem, eu posso ter o coração mole quando alguém precisa de ajuda, mas nunca procuro ninguém pra me ajudar. Porque são os outros que precisam disso. São os outros que tem demônios internos e lutam contra si mesmos. Eu encontrei a paz quando morri, apesar de não ter sido imediatamente. Não sei se eles teriam a mesma sorte. Demônios internos são muito mais difíceis de lidar do que os externos, mas você não pode se livrar dos dois. Pessoas que vivem na realidade, se preocupando com estudos e almoços de família são alheias aos demônios externos, porque elas não tem nenhum problema com a vida real. Mas não tem nenhum controle sobre si mesmas, e sofrem com crises interiores. No meu caso é mais fácil, já que selei um acordo de paz comigo mesma e só o que preciso fazer é bloquear os assuntos mundanos e continuar vivendo no meu próprio universo. Afinal, de quem você prefere ter que fugir? Dos outros ou de você mesmo?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Máquina do Tempo

As pessoas sonham com isso. Corrigir seus erros, salvar sua reputação, fazer com que todos tenham uma imagem perfeita delas. Mudar o passado. O passado precioso e sólido, a verdade absoluta. Eu tremo só com a ideia.
É uma fraqueza imperdoável querer isso. Apagar as coisas ruins que aconteceram na sua vida e não assumir seus erros. Sem falar que você não seria você mesmo se voltasse no tempo. Mudar o passado, por mais amargo que ele seja, seria uma violação absurda e nauseante.
Ninguém entente porque eu sou tão livre de culpa. Pensam que é indiferença e deboche da minha parte, mas a verdade é que eu sempre tive em mente que "o que está feito está feito". Você nunca vai me encontrar me remoendo pelos cantos, dizendo que "poderia ter sido diferente". Não, não poderia. Se não foi não era pra ser, e eu nunca tive nenhum problema em aceitar isso.
É claro que algumas coisas me machucam, mas eu não abro a boca pra reclamar. Não é que eu goste da realidade - eu odeio a realidade -, mas aceitá-la não é uma opção, apesar de algumas pessoas tentarem negá-la a todo custo. Não sou fã de lamúrias e autopiedade.
Uma pessoa que pudesse voltar no tempo jamais seguiria em frente. Ficaria presa ao passado, sempre construindo e reconstruindo uma mentira, uma vida perfeita fabricada. Algo uma vez perdido jamais será recuperado¹. É vendo a felicidade virar tragédia em questão de segundos que se cresce. Por mais doloroso que seu passado seja, é ele que faz você ser quem é. Não importa o quanto lute contra isso, o passado é irreversível. E você deveria ser grato.




¹ - A frase é de Ciel P., de Kuroshitsuji.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Deus e Religião

É o assunto mais polêmico do mundo, eu sei disso. Não é que eu goste de botar lenha na fogueira, mas não quero ficar calada sobre isso.
Primeiro gostaria de deixar bem claro que eu desprezo profundamente quem pensa que Deus e religião são a mesma coisa. Religião nada mais é que um grupo de idiotas brigando com outros idiotas, sendo que todos eles tem costumes, tradições e dogmas escrotos. Religião é uma merda.
Já Deus é mais interessante. Cada religião tem um (ou mais), e os alienados religiosos fazem loucuras por Ele. Acho que quase todas sacrificam pessoas em nome de seus deuses, inclusive em nome do Deus cristão. E antes que venham falar que eu estou faltando com respeito, vão ler a Bíblia. Lá tem contando a história bonitinha em que o Deus cheio de bondade mandou destruir uma cidade inteira, matando homens, mulheres, crianças e animais para servirem de oferenda a ele mesmo. O Deus cristão é megalomaníaco, sádico e cruel.
Voltando: quase todas tem um passado (e às vezes presente) sangrento. As religiões envergonham seus deuses. Todas as religiões dependem de Deus, mas Deus não depende de nenhuma delas.
Eu não sou ateia. Talvez tenha dado a entender que sou, mas não (apesar de simpatizar muito com ateus). Eu não tenho religião (acredito que a essa altura isso seja bastante óbvio), mas acredito em Deus. No meu Deus. Porque não é o Deus predefinido de uma droga de religião que vai mandar na sua vida. Cada pessoa tem seu próprio Deus, porque cada pessoa é Deus. E cada pessoa também é seu próprio demônio, dona de seu próprio inferno.
Eu não acredito em duas entidades opostas. Acredito que o bem e o mal são uma coisa só - ou melhor, acredito que o bem e o mal não existem.
Nós vivemos numa sociedade cheia de valores morais, que determina o que é certo ou errado e tenta enfiar isso pela nossa goela, e a maioria das pessoas engole. Mas nós precisamos nos livrar disso. Ética e moral são o cúmulo da hipocrisia. Religião só faz mal, as pessoas matam em nome disso, ficam irracionais. Religião não presta. Cada um devia ter seu próprio Deus (ou optar por não ter nenhum) e ficar na sua, e talvez assim pudéssemos encontrar a paz que, ironicamente, as religiões pregam tanto.
Acho que isso é tudo. Espero que esse post sirva pra alguma coisa. Se pelo menos uma pessoa abrir os olhos depois de ler isso eu já fico feliz.